Cronicas e reflexões

CONEXÃO SEM LIMITES

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Publicado por Cronicas/poesias/reflexões em Sexta-feira, 1 de março de 2019

domingo, 12 de abril de 2015

EU E A MÁQUINA

Minha filha subiu pelo elevador,levando meu netinho em uma cadeira de rodas preta.Aliviadas com o resultado do exame de sangue,que não tinha acusado nenhuma bactéria,agora meu netinho ia passar pela ultrassonografia da perna direita e quadril.para ver a origem da dor.
Fui impedida de ir junto como acompanhante ( regra do laboratório ) portanto teria que aguardar no saguão do térreo.
Sou uma pessoa que aposta na idéia de que todo tempo tem que ser aproveitado,e que sempre podemos produzir ou aprender algo de útil,independente da ocasião.Assim pensando,pedi aos funcionários da casa,que me mostrassem uma parede com tomada para carregar o celular, e me acomodei em uma ampla e confortável poltrona.

Ocorre que ao levantar a cabeça do celular que estava em minhas mãos,vi uma geladeira recheada de sucos, refrigerantes e bolachas bem á minha frente. Uma máquina vendedora,daquelas que a gente enfia o dinheiro e cai a mercadoria. Óbvio que a minha criança interior ( muito curiosa por sinal ) imediatamente se assanhou com questionamentos tipo: como será que funciona ? Como será que coloca o dinheiro ? Como escolho o suquinho? Será que tenho moedas ? Será que fica chato pedir ajuda para uma das mocinhas ali do balcão ?
Não resisti.Quando dei por mim já estava pedindo para a jovem do balcão me explicar tim tim por tim tim,como lidar com a máquina.
Saquei as moedas necessárias da bolsa e escolhi o produto ( um suquinho de pêssego ) bem mais caro que no mercado,por sinal.
Hááá…doce vitória.A ação foi muito bem sucedida e o suquinho rolou máquina abaixo,até a gaveta próxima ao chão. A mocinha que tinha me auxiliado,sorriu satisfeita e se afastou polidamente.

Hora…pensei…por que não mais uma vez ? Agora um pacotinho de bolacha. Eu estava confiante e me sentindo independente ( na verdade estava me divertindo como uma  criança ) Não precisava de mais ninguém ao meu lado,explicando como fazer.
Decidida,coloquei as moedas correspondentes ao preço da bolacha,apertei o código e empurrei o botão. Mas…alguma coisa deu errado…o barulho que a máquina fez parecia diferente,a bolacha não se mexeu e nem caiu para baixo,em direção á gaveta. Ouvi o som metálico das moedas, rolando por dentro da máquina mais tempo que o necessário.
E agora ? Será que eu errei alguma coisa ? Será que apertei algum botão errado ? Coloquei dinheiro a mais ? A menos ? Comecei a ficar aflita…Olhei para os lados disfarçadamente para ver se tinha alguém me observando ou vendo meus movimentos e  minha cara de uai…
Nisso,uma moça com touca branca na cabeça e uniforme azul marinho,entrou por uma porta que eu não tinha notado e, com um molho de chaves enormes nas mãos,aproximou-se da máquina,abriu todas as gavetas e vidros da geladeira de ferro,e comentou discretamente :
 
- Quebrou de novo minha filha ? Porque você insiste em não soltar as bolachas ?  Assim não dá…

Fiquei observando a intimidade da mulher com a máquina. Pareciam velhas conhecidas,quase amigas.

- Senhora…essas moedas aqui são suas ? A moça estendeu a mão me oferecendo as moedas de caça bolacha que eu tinha usado ainda a pouco. 

Peguei as moedas e voltei aliviada para a minha poltrona. Ufa…! Eu fiz tudo certinho sim,não tinha motivo para constrangimento…a máquina é que estava quebrada. Quebrada ? ou revoltada ?
                                                                                                
                                                                                                                       *PenhaBoselli* / 2015