Cronicas e reflexões

CONEXÃO SEM LIMITES

http://www.penhacronicasboselli.com/

Publicado por Cronicas/poesias/reflexões em Sexta-feira, 1 de março de 2019

quarta-feira, 27 de março de 2019

O QUARTO DOS CRISTAIS

De tanto mexer com cristais,e fazer cursos e mais cursos de cura com cristal,acabei despertando em mim propriedades relacionadas aos cristais que estavam bem guardadas na alma,adormecidas e esquecidas.
Ora…pois não era em Atlantida que sacerdotes e sacerdotisas mexiam com os cristais ?
Em Atlantida,as curas eram realizadas nos templos,através da manipulação dos cristais.Curadores utilizavam os cristais como fonte de energia para recalibrar o estado mental e emocional das pessoas (em desequilíbrio ).E também como condutor e fonte de energia.


Adquiri a mania de fotografar os cristais e suas cores prismáticas durante varias horas diferentes do dia,porque percebi que os efeitos em decorrência da luz, eram excepcionais e inovadores. Varias vezes me admirei com o colorido das fotos. Era um festival de prismas e cores que se multiplicavam pelo quarto todo,formando desenhos geométricos surpreendentes.
Algumas vezes tive a nítida impressão de estar junto com meu quarto,bem dentro dos cristais. Outras vezes sentia-me de tal maneira confortável manipulando-os,que parecia estar repetindo um procedimento já experienciado em outros ambientes,em outras vidas.Tudo me parecia bem familiar.
No fundo,no fundo,eu sabia como mexer com os cristais e que movimentos deveria fazer para que eles se multiplicassem em cores e tamanhos pelo quarto. Ninguém nunca me ensinou isso nos cursos que frequentei. Descobri sózinha. Foi um “click “ interior.
Minha familiaridade com os cristais vem de outros tempos.Tudo que estava encoberto pelo véu do esquecimento,se manifestou de maneira espantosa,testemunhando que ( em algum lugar secreto da minha alma ) Atlantida permanece viva em mim.

                                                                                      


REVELAÇÃO

A bola de luz desceu pelo teto do quarto,girando como um redemoinho de fogo.Subitamente,parou na altura da minha cabeceira e ficou irradiando raios de luz amarela como uma estrela.Seu miolo permanecia branco e com uma luz tão forte,que quase me cegava quando olhava diretamente para ela.
O que era isso ?
A gente assusta quando se depara com um fenomeno desse no quarto. Ainda mais quando tudo acontece no mais absoluto silencio.É uma situação que nos alegra e aflige ao mesmo tempo.Primeiro porque nos sentimos privilegiados,depois,porque não temos o menor controle sobre a experiencia transcendental.
Optei ( por medo e prudência ) permanecer sentada e imóvel no canto do quarto, meia que hipnotizada e assustada.Será que a luz era inteligente e tinha vida própria ?Será que era de origem celestial ? Seu brilho era tão intenso, que tenho certeza que podia ser visto através da janela do meu quarto,por quem passasse lá embaixo na calçada do prédio.
É uma vivencia maravilhosa mas assustadora também.Contar para os outros então…nem pensar !
Do mesmo modo que foi intenso,foi rápido. A bola de luz começou a vibrar cada vez com mais intensidade,rodopiou sobre si mesma e recolheu seus raios amarelos. Só o miolo de luz branca e cristalina permanecia brilhando,suspenso no ar.De repente a luz como que implodiu, e o quarto foi tomado por um escuridão avassaladora.
Estranho…maravilhoso…enigmático. Nessa noite foi difícil pegar no sono.


Há mais mistérios entre o céu e a terra,do que supõe nossa vã filosofia.

             

domingo, 17 de março de 2019

VAMOS A LA PLAYA

 
Sou a única privilegiada com um quarto que tem passagem direto para a praia. Nenhuma outra pessoa aqui em Sampa ou em qualquer lugar do mundo,tem um quarto acoplado a uma praia ( que está a quilometros de distancia ) com refrescante agua azul  e redes confortáveis penduradas ao lado da cama.Essa maravilhosa combinação espacial e temporal abre e fecha uma passagem misteriosa,que liga meu quarto ao litoral, conforme chegam os feriados de verão.
Enquanto outras pessoas passam horas no transito,descendo a serra para chegar á praia,eu simplesmente acordo,sento na cama e já coloco meus pés na areia branca,fina e fofa do Guarujá.
Saio da cama para a rede,e do quarto fechado para a brisa fresca que sopra da praia.
Acordo com o cheiro de maresia e uma linda paisagem marítima, no lugar das paredes atras da cama.
Sou poupada da estressante descida pela serra, sempre congestionada de carros nos feriados e finais de semana.
A primeira vez que esse fenômeno inexplicável aconteceu,fiquei meia desconfiada. Meu medo era ficar do lado de lá ( na praia ) sem poder voltar para o meu quarto de novo. Mas aos poucos,vi que não havia perigo. O portal que ligava um ambiente a outro, permanecia inalterado até a hora em que eu (voltando para o quarto) sentava na cama .Nesse exato momento a paisagem marítima diluía-se e a parede se materializava.
Acabei me acostumando. 

Quem sabe um dia, meu quarto abra uma passagem para outros lugares no mundo,que eu jamais teria condições de ir via turismo ? Mais ainda…Quem sabe uma passagem para Plêiades…Órion…ou algum lugar desconhecido do universo.
Pensou?
                                                                                   
                                          Maria da Penha Boselli* / Maat* 2015

REVELAÇÃO

Tenho pavor de tuneis,de qualquer tipo ou tamanho.Tuneis longos demais,que não me deixam ver uma luz,uma saída logo a frente me apavoram. Corredores compridos e fechados,sem janelas ( desses que tem em todo hospital ) me despertam sensação de sufoco e desmaio.Minhas pernas ficam moles quando sou obrigada a transitar por corredores hospitalares para visitar alguém da familia.

Aqui em São Paulo, o pavor que os motoristas tem por túneis em dia de chuva,vem reforçar esse meu pânico inexplicável. Nem os túneis mega modernos que atravessam as rochas da serra na descida para o litoral me trazem sensação de segurança.Quando vou para a praia com filhas e netos,em cada túnel desfio uma Ave Maria para o transito fluir e não parar.

De onde vem e por que existe esse medo,esse trauma dentro de mim ?
 Corredores,elevadores,tuneis,me trazem sensação de morte,desmaio,sufoco e pânico. Será que em outras vidas,fui obrigada a transitar por algum corredor antes de morrer ?


Apesar de todo trauma,consegui percorrer um corredor lilás que ( misteriosamente ) apareceu no meu quarto em um domingo a tarde.

Eu descansava do almoço deitada na minha cama,quando um enorme corredor espelhado,de cor lilás,suavemente iluminado,se formou no teto,começando bem acima do meu armário de livros de cabeceira. Era  muito bonito,translúcido e tomava toda a parte superior do quarto.Parecia uma esteira d'água ( um espelho ) tal era a sua transparencia.O azul lilás que emanava desse túnel,se esparramava por todos o móveis,mas de maneira mais acentuada,sobre a minha cama. Sem saber para onde seria levada,senti meu corpo físico levitar até o assoalho do corredor lilás e intuí que deveria caminhar em direção a uma porta que estava bem no final desse túnel celestial.
Não senti medo, pavor ou sensação de sufocamento. Minhas pernas movimentavam-se lentamente e meus passos eram tranquilos. Eu estava calma. Então percebi que na parede lateral (translúcida e transparente do corredor ) existiam janelas sutilmente iluminadas,quase imperceptíveis,que refletiam ( conforme eu ia passando por elas )  imagens de pessoas desconhecidas para mim : uma mulher negra,um rapaz de chapéu e óculos,uma senhora idosa com xale e terço nas mãos,uma jovem dançarina de cabaré,um soldado escrevendo uma carta em campo de batalha,uma camponesa medieval,um minerador preso na mina,uma criança chorando em um quarto escuro,e por último,uma mulher de mãos dadas com uma criança,caminhando em um túnel longo,fechado e sombrio, que conduzia para a câmara da morte silenciosa por asfixia.
Em princípio eu não estava entendendo nada,até que finalmente,quando cheguei no término do túnel,pude ver minha prória imagem refletida na parede translúcida. Então minha ficha caiu. Imediatamente compreendi que o túnel me levara a uma viagem no tempo,e havia me mostrado todos os personagens que eu já havia assumido e vivido em vidas passadas.
A propriedade transmutadora da cor lilás,fez desse túnel,um túnel curador. Quando fiz o caminho de volta,as figuras haviam desaparecido e toda a parede lateral refletia apenas a minha imagem. De repente despenquei em queda suave até minha cama e o túnel desapareceu. 

Depois dessa experiencia,mudei de atitude comigo mesma : passei a me compreender melhor,aceitar minhas limitações sem revolta,e ter paciência comigo mesma. Agora consigo encarar meus medos sem constrangimento,e vivo em permanente estado de gratidão,por tudo que me foi revelado,visto e compreendido, através dessa vivencia transcendental ocorrida dentro do quarto.

                                  Maria da Penha Boselli* 

sábado, 16 de março de 2019

A LUZ QUE CURA

Gosto de fazer minhas orações sempre no mesmo horário. No pequeno Santuário do meu quarto,oro pela paz do mundo,e pela cura de doentes,moribundos e familiares. Apelo aos Mestres da grande Fraternidade Branca,que deixem fluir os benefícios e virtudes de cada raio,para situações específicas ou mais urgente ( para a humanidade e o planeta terra ) Mas também oro para mim,invocando a chama verde que cura,principalmente enquanto durmo ( para me libertar de medos,limitações e sentimentos de rejeição impregnados na alma ). 
Eis que um dia,ao adentrar meu quarto,deparei-me com colunas etéricas de luz verde,fluindo do teto do quarto sobre o chão e a minha cama.Atendendo meu apelo,Mestre Hilarion cercou-me de luz verde.Antes de deitar para receber os benefícios da luz que cura,fotografei a cena para que todos acreditem em mim.


*PenhaBoselli* / MAAT 2015


IPÊ ROSA

Na época em que os ipês florescem,São Paulo também fica lindo. Nos parques,nas avenidas e ruas,a gente pode ver lindos ipês floridos de maneira tão farta e tão coloridos ( brancos,amarelos,rosas ) que purificam nossos olhos.Colírio para a alma.
 
Em uma tarde quente de verão,estava com minha filha parada no transito,bem em frente um lindo ipê carregado de flores rosas. O semáforo fechou e eu mais que depressa procurei na bolsa minha máquina fotográfica. Misericórdia…tinha tanta coisa dentro da bolsa que não conseguia botar minhas mãos na camera.Procurei desesperadamente,e tudo que conseguia encontrar naquele imenso buraco negro,eram objetos que nada tinham em comum com fotografia : pentes,balas,lenços,caneta,documento,mouse quebrado,livro de oração…comecei a ficar aflita porque intui que o farol ia abrir. Ipes são efemeros,duram pouco. Na próxima semana quando voltasse a passar pelo mesmo lugar,suas flores delicadas já estaria no chão.
Realmente fiquei frustrada. O céu não compactuou para que eu conseguisse a foto da árvore. O semáforo abriu e minha filha teve que movimentar o carro. Fomos embora,o ipê ficou para trás e eu fui durante todo o trajeto, me lamuriando pela oportunidade perdida. Jurei aos céus que ia trocar de bolsa. Quiça uma menor com compartimentos mais organizados.
 
Mas... uma surpresa me aguardava. 

No dia seguinte ao acordar, deparei-me com o mesmo pé de ipê dentro do quarto,os galhos floridos e fartos, ao redor da cama. Lembrei-me de um sonho tido na madrugada anterior,onde anjos vinham do céu e transplantavam a árvore florida no chão do quarto.
Foi o sonho mais angelical e surpreendente que tive na vida. Que presente do céu !

.......................................................PenhaBosell*/Maat 2015

GUARDANDO O SANTÍSSIMO

Visitei o orfanato com o mesmo entusiasmo de sempre. Brinquei com as crianças,contei histórias e dei uma passadinha na capela para orar,ainda que rápidamente. 
No interior da pequena capelinha encontrei padre Miguel limpando pacientemente os apetrechos sagrados do Santuário do Altíssimo.

- Filha,alguém precisa manter as orações do Santíssimo hoje. Irmã Carmela está de cama muito gripada.Voce se disporia a meditar em oração por meia hora ?

Aflita e pega de surpresa,não consegui dizer que não ( embora estivesse louca para ir embora,tomar um banho e dormir cedo) 
Na verdade eu dormira muito mal na noite anterior.

Gaguejei nem que sim nem que não e a minha indecisão foi minha sentença. Padre Miguel estendeu os braços e colocou na minha mão um pequeno livro de oração,para a prática das preces.Em seguida juntou objetos e paninhos de tirar pó,e se retirou da capela deixando-me a sós para o ato devocional,no mais absoluto silencio sagrado.

Meia hora de oração…eu caindo de sono,cansada pra caramba…
Fraquejei na determinação e na fé, ciente de que - quando estivesse sózinha e mergulhada no silencio - cairia em sono profundo nos braços profanos de Morfeu. Mas mesmo assim ajoelhei e  comecei a balbuciar, indecisa ,as preces devocionais.
Nem cinco minutos depois,já me senti incomodada com os joelhos doendo e sentei.Minha cabeça começou a pesar e bambear em cima do pescoço, e eu me entreguei a um cochilo rápido e delirante,com os olhos piscando o tempo todo.
De repente vi minha cama ao lado do Santuário, macia e aconchegante,com almofadas e tudo.
 Perguntei a Deus se era pecado rezar deitada,e antes que ele respondesse,me joguei afoita e cansada sobre a cama,sem me preocupar sequer em tentar entender o que acontecia.Claro que dormi.

Das duas uma : ou Deus exigia minha presença na capela,mesmo que deitada ( e por isso teletransportara minha cama até alí ) ou eu estava sendo tentada pelo demo.

Não sei quanto tempo dormi. Acordei assustada,com o corpo dobrado sobre o banco da igreja,com a boca toda babada e alguém chacoalhando meus ombros. Era irmã Dulce,que antes de dormir fora verificar se  as janelas e vitrais da capela estavam fechados e dar uma última checada nos genuflexórios.

Misericórdia…que vexame.Que mico ! Levantei-me toda torta e cambaleante como um zumbi,e pedindo desculpas para irmã Dulce.Saí da capela confusa e preocupada,questionando em silencio interno,se minha cama ainda estaria no quarto, quando eu chegasse em casa. 
Antes de cruzar a porta da pequena capela para a rua,olhei sorrateiramente para trás e fiz uma varredura rápida com os olhos pelo interior do santuário,na esperança de encontrar minha cama amoitada em algum canto, e me convencer de que não estava louca. .

…………………………………………………………………

                                                                     Maat* / 2019

sexta-feira, 15 de março de 2019

EU E AS LUAS

A lua sempre esteve presente na minha vida, mas de uma maneira comum,tipo: horóscopo,gravidez e parto,maré alta na praia,lua certa para cortar cabelo etc….
Esses dias eu andei muito cabisbaixa,porque além de não ter conseguido ver as luas vermelhas que passaram pelo céu nesses dois últimos anos,essa última lua de sangue ( que aconteceu agora em setembro de 2015 ) e o fenômeno eclipse,também foram inacessíveis para mim. Em Sampa fez tempo nublado,estava garoando e eu não consegui ( mais uma vez ) ver coisa nenhuma.
O que aconteceu a seguir foi extraordinário e incomum.
Acho que a lua ficou na minha cabeça de tal maneira,que acabei sonhando com ela. 

Eu estava no meu quarto,e de repente ele ficou todo iluminado,com varias luas descendo do céu.Elas bailavam nas paredes,na cama e ao redor de mim. Mas estavam protegidas por uma espécie de grade,como se cada uma delas estivesse dentro de um quadrado. Todas elas,representavam a mesma fase lunar,ou seja,lua crescente.
 Bom…o pouco que sei sobre esse satélite maravilhoso é que, além de ser responsável pelos beijos,promessas e abraços de todos os apaixonados do mundo,também administra nossa emoção e intuição.A lua crescente é muito auspiciosa para quem deseja iniciar novos projetos ou começar alguma coisa nova.
Tentei interpretar meu sonho…Considerando o numero de quadrados com lua,esparramados pelo quarto,será que eu ia dar inicio a varias coisas novas ? Será que cada quadrado representava um projeto novo ? Será que o sonho estava me cobrando uma conexão mais profunda com a lua,para trabalhar melhor minha intuição ?
 Não sei,mas essa foto representa com fidelidade o sonho que tive com as luas,porque a visão do sonho se materializou, e só desapareceu depois que peguei minha câmera e bati a foto.


Maria da Penha Boselli* / Maat* 2015

BONECO DE NEVE

Nos tempos de criança,enfeitavamos nossa arvore de natal juntos ( eu e meus irmãos ) sob a supervisão da minha mãe. Os enfeites antigamente era de um vidro pintado bem fininho ; quebravam fácil e se estilhaçavam em caquinhos miúdos que cortavam perigosamente a mão da gente.
Nessa época,os cartões de natal vinham todos com motivo de neve,muita neve,muitos pinheirinhos e coisas de outros países do hemisfério norte,que nunca fizeram parte da minha vida,nem da cidade onde sempre morei no Brasil. A influencia de clima frio e neve no natal brasileiro era tão forte,que colocávamos nos ramos e galhos da arvore verde (  pinheirinho ) chumaços de algodão branco imitando neve. Isso nunca me incomodou,mesmo vivendo em uma região quente,de muito calor e nenhuma neve o ano inteiro.Criança tem imaginação e aceita tudo com alegria sem questionar.
Mas uma coisa eu tinha vontade de tocar,pegar e montar com as próprias mãos : um boneco de neve ( que também apareciam em todos os cartões de natal da época ).
Cresci com a imagem desse boneco na cabeça,sabendo que seria difícil ter um ( ou mesmo moldá-lo ) sem a matéria prima básica : neve. Durante toda minha infância,meu sonho de consumo natalino foi ganhar ou construir um boneco de neve de verdade.
 Hora…minha imaginação e força de vontade,aliada ao sonho cultivado na alma por tantos anos,produziram um milagre dentro do meu quarto,no último natal.
Adormeci ( na véspera do natal ) saudosa dos pais falecidos e das noites infantis dos meus natais.Dormi lembrando das uvas,castanhas e do peru assado sobre a mesa da sala.Das taças de cristal ( que só saiam da prateleira de jacarandá em ocasiões especiais ) e das garrafas de vinhos vazias sobre o aparador. No embalo saudoso desse passado feliz, podia ouvir até o sino da igreja que soava lá na minha cidade,na madrugada do natal ( durante a Missa do Galo )
Peguei no sono com o espirito entristecido e o coração apertado pelo passado que não volta mais. 


Acordei de madrugada,com luzes coloridas piscando pelo quarto, e um vulto branco ao lado da cama. Incrédula,constatei que era um boneco de neve. Neve de verdade,com nariz de cenoura e tudo. As luzes que piscavam vinham de uma árvore de natal plasmatica,sem corpo material,mas linda. Meu quarto tinha até estrela de Belém na parede,enorme e toda alaranjada.
Indecisa e maravilhada,estendi o braço e toquei o boneco com as mãos sentindo na pele,como a neve é fresca, gelada e macia.

Feliz como criança,sentei na cama e comecei a interagir com o boneco de neve.Apelidei-o carinhosamente, de Branquelo. Conversei com ele por alguns minutos.Trocamos idéias e eu lhe disse o quanto ele fez parte do meu mundo infantil no passado. Eu estava em êxtase pelo sonho realizado.
De repente fui tomada por um sono incontrolável.Deitei na cama, e antes de fechar os olhos,pude ver Branquelo bambear,entortar e por fim começar a se derreter inteiro. Meia inconsciente percebi que as luzes coloridas da árvore,piscavam cada vez mais fracas.
Sem compreender o que sucedia,adormeci. Eu estava feliz e realizada. A magia do Natal esteve no meu quarto e realizou um grande sonho da minha vida. O impossível,as vezes,acontece.

                                                    
    Maria da Penha Boselli* / Maat* 2005

ÁRVORE SECA

Depois de uma noite mal dormida,consegui lembrar-me de um sonho.
Eu perambulava desnorteada e sem rumo, por uma estrada poeirenta e tortuosa,que não levava a lugar nenhum.Meu unico  ponto de referencia, era uma mancha de cor marrom, disforme,que se movimentava com pouquissima flexibilidade, pela força do vento,bem lá no fim da estrada. Parecia ser uma árvore.Caminhei por muito tempo em direção a ela,e quando cheguei bem perto, vi que era mesmo uma árvore (desfolhada e seca ). Para meu espanto,identifiquei minha cama e alguns móveis do quarto,ao seu lado. Então...por que tive que caminhar tanto,para chegar até ela ?
Sentei-me na cama, cansada da caminhada  e muito sonolenta. Acho que peguei no sono. Devo ter dormido profundamente,e quando acordei,estava no meu quarto em Sampa. Então constatei que tudo tinha sido muito real. E a árvore,estava sim ao lado da cama,imperceptível e quase dissolvendo no ar.
Fotografei.
                   
          
                             

*PenhaBoselli* / MAAT 2015

PRIMAVERA NO QUARTO

Surpreendentemente, a natureza trouxe a primavera para dentro do meu quarto.
Ao levantar de manhã e abrir a janela,fui envolvida pelas flores que vieram de algum lugar lá fora,de algum parque ou jardim.
Minha janela tornou-se um portal de alegria e cores,e meu quarto ficou encantadoramente primaveril.



*PenhaBoselli* / MAAT 2015

quinta-feira, 14 de março de 2019

O FACE SUMIU




FORA DO AR
 

… o que mais eu poderia fazer ? Desconectada do site mais fofoqueiro do mundo e sem vontade nenhuma de fazer meus alongamentos, fui pra cozinha adiantar minha janta. 
Mulher sempre acha o que fazer dentro de casa. E sem não tem mais nada para arrumar,limpar,concertar,passar,costurar etc…etc…é só ir até a cozinha que já aparece alguma coisa pra fazer.
Tenho horário fixo para ficar no face, porque recuso-me a ficar teclando nos horários das minhas obrigações domesticas. Claro que tento conciliar as duas coisas, mas se tiver que escolher escolho cuidar das coisas da casa.
O que aconteceu com o site do face não imagino…Alguma conspiração oculta ? Alguma fraude cabeluda ? Tsunami no espaço virtual ? Confesso que cheguei a pensar que a Lava Jato tinha chegado no face. Pensei…fudeu ! Agora não volta mais.
Mas…apesar das enchentes, dos terremotos, dos tsunamis e da Lava Jato,o face voltou. Apesar da teoria da Conspiração,dos Illuminatti e outras coisas ocultas que rondam o mundo hoje, o face voltou. 
Considerei a possibilidade de uma intervenção alienígena ( sabe como é né…tem tanto Ufólogo demonstrando que "eles” estão aí…)
Mas…o face voltou e o mistério desse intervalo silencioso permanece. 
Vou pra minha cozinha que eu ganho mais. Quando o pessoal chegar pra janta tem que ter comida na mesa, porque post no face não enche barriga de ninguém.



     Maria da Penha Boselli* / 2019



sexta-feira, 8 de março de 2019

DESCOMPROMISSO



                                       INCOERENCIA

A política do Brasil que já é em si um grande carnaval,agora foi levada até o sambódromo do carnaval. Essa mistura não cola. Não dá liga porque é superficial,desprovida de compromisso com a verdade que prega.
As escolas que desfilam no sambódromo manifestam criticas a personagens históricos,crenças religiosas,ideologias,podridão política,sustentabilidade ( apogeu a Amazonia ) ...oi ? 
To babando no "miau "? Posso jurar que vi um monte de belos corpos purpurinados,exibindo fartas penas de aves,inclusive de pássaros raros como a exótica "ave do paraíso " / belíssima e rara de se manter em cativeiros. Então pergunto....Como pode uma comunidade carnavalesca defender tantos ideais éticos,históricos,políticos,teológiocos,teatralizando a luta do bem contra o mal ( Jesus x Satanás ) e alimentar o sádico comércio de penas e plumas que são obtidas com a depena de centenas e centenas de aves a sangue frio, com o único objetivo de satisfazer o ego vaidoso da disputa na passarela?
Alguma coisa não bate. A ética,a bondade,a sustentabilidade,a verdade,o respeito a vida,não pode ficar limitado ao tamanho do sambódromo. Chegou no fim da avenida acabou e pronto.Passa a borracha e esquece tudo. Nà...nã....nã !
É muita disparidade e incoerência,falar das belezas da amazonia,da natureza pródiga e do verde das matas,utilizando nas pomposas fantasias penas de aves torturadas. Aonde fica a compaixão ? 
Me indignei ! Pronto falei ! 
Enquanto o ego humano brilha na avenida,e coleciona prêmios,as aves depenadas permanecem ardendo em dor pelo suplício a que são submetidas. Não concordo,não bato palmas e não elogio. Tá mais que na hora dessa "infantilidade humana "acabar. O discurso temático das escolas fica oco,desprovido de verdade e vazio / porque prega uma coisa e faz outra.Assim como fazem os políticos. É o carnaval imitando a vida real.
É o carnaval na política e a política no carnaval.
A platéia que aplaudiu com tanta veemência as verdades éticas,morais teológicas,históricas e políticas que passaram na avenida,também se mostrou incoerente,descompromissada e vergonhosa : basta ver a imundície do chão e das arquibancadas após o término dos desfiles.Aplaudem verdades e praticam insanidades. 
Pronto falei !
Maria da Penha Boselli* / 2019

sexta-feira, 1 de março de 2019

CAMINHANDO

NÓS,AS FRUTAS E O CICLO DA VIDA


Assim caminhamos nós. Algumas consciências despertas ,maduras,outras ainda por evoluir. Cada um no seu patamar,no seu tempo,no seu ritmo.
Fazemos parte da mesma árvore,absorvemos a mesma seiva que nos dá vida.Respiramos o mesmo ar e compartilhamos os mesmos ramos que nos sustentam.Mas a caminhada é individual.Cada um sabe de seu caminho,seu destino e seu tempo. Alguns amadurecem antes,outros depois. Alguns caem do galho mais cedo antes mesmo de amadurecer,já outros completam todo o ciclo e continuam firmes no ramo da árvore,até ficarem encolhidos e enrrugadinhos.
A natureza manifesta com fidelidade o ciclo de nossas vidas. De uns anos pra cá tenho me sentindo uma acerola meio que madura. Espero não cair do galho,não ser bicada por nenhuma ave que possa me deixar deformada,e ter o tempo necessário para ficar encolhida e enrrugadinha no pé.


                                                        Maria da Penha Boselli* / 2019

FOLIA MOLHADA

CARNAVAL COM CHUVA ( FOLIA MOLHADA )

 

Alegria para uns,desespero para outros e tristeza para foliões.
Alegria para quem vai desfilar no bloco "pijama e chinelo no pé "
Desespero para quem mora nas casinhas perto dos morros.
Tristeza para as escolas de samba no desfile do Sambódromo.
Assim é a humanidade.Cada um no seu mundinho,de olho no próprio umbigo e de acordo com seus interesses e necessidades pessoais.
São Pedro,que num tá nem aí pro carnaval,vai mandar água de montão pra limpar a sujeirada que tá rolando no pais. Iemanjá que também concorda com o Santo,vai ajudar mandando água doce,salgada,misturada,temperada e abençoada para limpar as impurezas dos homens aqui na região Sudeste,Planalto Central,Minas Gerais,litoral,Nordeste e outras áreas brasileiras carentes de limpeza profunda.
Quem for em bloco de rua vai pular carnaval molhado de chuva, molhado de suor e com o corpo todo grudado de confete,com as purpurinas derretendo na pele e maquiagem borrando a cara. Tem jeito não. Majú falou tá falado.Vai ser "carnachuva".
A única coisa que a chuva não tira do folião de alma é a alegria. O folião inato vai no bloco mesmo que chova pedra,mesmo que o vento sopre,mesmo que caia neve.
Quer pular carnaval sem chuva ? Coloca um ovo no telhado pra Santa Clara clarear. De repente ela bate um lero com São Pedro e Iemanjá e clareia tudo né ? Ou não...
 

Bom Carnaval e boa semana de folia.

                                                                         Maria da Penha Boselli* / 2019