Cronicas e reflexões

CONEXÃO SEM LIMITES

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Publicado por Cronicas/poesias/reflexões em Sexta-feira, 1 de março de 2019

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SAMPA DA MINHA VIDA



Tu me estressas,me cativas,me seduz.
Sou uma paulistana financeiramente dura pra cacete. Nunca tenho grana pra curtir o que a cidade tem de melhor. Nào vou em teatro,cinema,e restaurantes caros. Nào tenho dim dim pra shows,baladas e grandes compras. Shopping...só pra ver virines,e ói lá.
Em shopping,nào compro nem churros. E vou raríssimas vezes,porque já cansei de passar mal com chiliques,taquicardia e claustrofobia.A luminosidade das vitrines e lojas me estressa por demais.
Odeio o trânsito de Sào Paulo. Me causa ansiedade,me deixa mal humorada e me lembra a primeira crise de pânico que tive embaixo de um viaduto num sábado a noite.
Frequento supermercados após as 21:00 ou durante horarios de novela (que é mais vazio ) pra nào me sentir sufocada.
Mesmo assim,insisto em voltar para Sampa.
Não dirijo mais sózinha em grandes avenidas,de um bairro a outro,mas insisto em voltar para Sampa.
Não gosto de ficar sózinha a noite no meu apartamento ( e não fico ) mesmo assim volto para Sampa.
Meu relacionamento com essa cidade, é um sentimento de amor e ódio.Tesão pela cidade, misturado com fortes doses de masoquismo psicológico e emocional.
Não conheço todos os teatro,mas conheço todas as farmacias homeopáticas. Não conheço todos os shoppings,mas conheço quase todos os espaços holísticos.Não conheço muitos restaurantes,mas conheço as igrejas mais importantes de cada bairro.
Sampa...porque insisto em voce ? Voce me desequilibra,me tira do sério, mas eu insisto em voltar para voce.
Quando estou com voce,penso em Taquaritinga. Quando estou em Taquaritinga,penso em voce. Dualidade perigosa,que pode me jogar nos braços de uma terceira cidade. Quem sabe ? Quem viver,verá.

                           Maria da Penha Boselli*  / 2013


domingo, 25 de outubro de 2015

SACHE MISTERIOSO

Entramos em casa e fomos direto para a cozinha. Minha filha disse :
- Depois desse japa,um chazinho vai bem,né? Quer um ?
Fiz que sim com a cabeça e fui pra sala.
Como a novela já tinha acabado,resolvemos assistir Shakespeare Apaixonado. O filme já estava na metade mas é muito bonito e interessante de ver.
Lá pras tantas,acho que minha filha cochilou,ou esqueceu que estava com a xícara de chá na mão,e se molhou inteira.Virou a xícara de boca para baixo e o resto do chá ,que ela não tinha bebido,se derramou na calça,na blusa e no sofá.
Pausamos o filme e acendemos a luz da sala para limpar a molhadeira.
Foi aí que demos falta do saquinho do chá. Procura,que procura...e nada ! O sache tinha desaparecido.Sumiu entre as almofadas e dobras do sofá.
Puxamos o sofá,chacoalhamos as almofadas,olhamos na roupa,no sapato que estava no chão,na blusa.Nada! Mistério.

Como pode?
De repente minha filha,num estalo,gritou:
- Nossa mãe,como somos burra!
Pensei. Somos ? Ué...não sabia disso.
- Eu fiz o chá com folha de melissa e coei no coadorzinho. Não usei o sache.
Fiquei com cara de. " uai "
Então era isso. Estava explicado o mistério do sumiço do sache.
Nessas alturas a sala já estava de pernas para o ar.
Voltamos para o filme. Já que tínhamos resolvido o mistério do sache,podíamos curtir em paz as misteriosas paixões de Shakespeare.

                                          PenhaBosell*i /  maat 2013