Cronicas e reflexões

CONEXÃO SEM LIMITES

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Publicado por Cronicas/poesias/reflexões em Sexta-feira, 1 de março de 2019

segunda-feira, 1 de abril de 2019

NO MIOLO DA MANDALA




Os gomos coloridos foram se formando aos poucos.Como fios que se desprendem do casulo do bicho da seda,fios de todas as cores apareciam no ar e se multiplicavam pelo quarto todo,assim do nada,sem uma fonte aparente que eu pudesse identificar.Aos poucos iam se juntando e formando desenhos e tramas,gomos e pétalas.
Surpresa,percebi que o movimento dos fios que se cruzavam e entrelaçavam, não era aleatório.Existia uma lógica por detrás. Um sistema que evidenciava a construção de uma mandala. 


O cenário era grandioso e sublime. Puxei a cadeira da escrivaninha para o canto do quarto,a fim de abrir mais espaço e não atrapalhar o espetáculo ilusionista que me era oferecido gratuitamente,por forças desconhecidas. 
Eu estava maravilhada. Nunca tinha visto isso antes e comecei a rezar para que nenhum dos meus filhos chegassem em casa nesse exato momento. Estariam interrompendo uma cena sagrada .
Absorta na minha contemplação,constatei que uma mandala enorme e belíssima havia se formado no ar, e permanecia flutuando como bolha de sabão.


Quanto tempo duraria esse fenômeno ? Minha cama,que agora estava tomada pelas múltiplas cores,permanecia bem no centro da mandala. Será que a noite,quando eu fosse dormir,a mandala ainda estaria aí ?

Para minha decepção e desgosto, a campainha tocou insistentemente inumeras vezes. Alguém queria entrar e a porta estava trancada.Alem de tocar a campainha,batia na porta toc,toc,toc.
 
Corri rápidamente até a sala,abri a porta e voltei the flash para o quarto.Mas a mandala havia desaparecido por completo. Meu movimento quebrou o encanto.Apenas alguns poucos fios ainda flutuavam soltos e vacilantes no ar.

Que dó.Que pena. Que judiação. Acho que nunca mais teria outra chance como essa.

Espero que de noite,ao me deitar,possa me lembrar com nitidez dessa linda mandala que se formou misteriosamente ao redor da minha cama.

                                                                   Maria da Penha Boselli*/Maat* 2015